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terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

'Aborto já é livre no Brasil. Proibir é punir quem não tem dinheiro', diz Drauzio Varella


Médico diz não ter opinião em discussão sobre fim de gestações por causa do zika vírus, mas condena o que chama de 'hipocrisia': 'a mulher rica faz e não acontece nada. Agora, a mulher pobre, essa morre'.

Ricardo SenraDa BBC
édico mais popular do Brasil, conhecido por quadros na televisão, vídeos em redes sociais e best-sellers como Estação Carandiru, Drauzio Varella é categórico quando o assunto é a interrupção de gestações. "O aborto já é livre no Brasil. É só ter dinheiro para fazer em condições até razoáveis. Todo o resto é falsidade. Todo o resto é hipocrisia."
O médico Drauzio Varella, em imagem captada num dos vídeos que publica em seu canal no YouTube  (Foto: Divulgação)O médico Drauzio Varella, em imagem captada num dos vídeos que publica em seu canal no YouTube (Foto: Divulgação)
Em entrevista por telefone, Varella critica qualquer enfoque religioso sobre o tema - que voltou ao noticiário junto à epidemia de zika vírus e aos recordes em notificações de microcefalia - e afirma que o cerne da discussão não está na moralidade, mas na desigualdade brasileira.
"Ninguém pode se considerar dono da palavra de Deus, intermediário entre deuses e seres humanos, para dizer o que todos devem fazer", diz. "Muitos religiosos pregam que o aborto não é certo. Se não está de acordo, não faça, mas não imponha sua vontade aos outros."
Como a BBC Brasil revelou na última quinta-feira, uma ação que pede a descriminalização do aborto em casos comprovados desta má-formação deve chegar ao Supremo Tribunal Federal, nos próximos dois meses. Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), uma brasileira morre a cada dois dias por conta de procedimentos mal feitos e um milhão de abortos clandestinos seriam feitos no país todos os anos.
"A mulher rica faz normalmente e nunca acontece nada. Já viu alguma ser presa por isso? Agora, a mulher pobre, a mulher da favela, essa engrossa estatísticas. Essa morre."
"Proibir o aborto é punir quem não tem dinheiro", prossegue Varella, que não acredita que uma eventual descriminalização possa estimular que mulheres busquem o procedimento.
"Não sou defensor do aborto e ninguém é. Qual é a mulher que quer fazer o aborto? É uma experiência absurdamente traumatizante, uma tragédia. A questão não é essa."
Doação X Aborto
Também segundo a OMS, cerca de 25 países já registram casos de zika. Apenas Brasil e Polinésia Francesa, entretanto, têm dados comprovando o aumento de casos de microcefalia em recém-nascidos.
Varella diz não ter opinião formada sobre o aborto neste caso específico. "Na microcefalia, o diagnóstico definitivo é feito em geral próximo ao 3º trimestre. Você pega um feto aos sete meses e ele está quase nascendo", diz. "Mas é lógico que eu respeito (qualquer decisão)."
"O importante é dar liberdade aos que pensam diferente", afirma o médico. "Essa é a questão fundamental do aborto."
Varella então levanta a pergunta: se a doação de órgãos em caso de inatividade cerebral tem aceitação popular, por que a retirada de um feto igualmente sem atividade cerebral é criticada?
Ele dá o exemplo de uma menina que sofre um acidente de moto e tem morte cerebral. "Ela pode, por lei, ter fígado, coração e rins retirados para doação, porque seu sistema nervoso central não está mais funcionando. O sistema nervoso central é o que determina a vida. Mas até o 3º trimestre de gravidez, não há nenhuma possibilidade de arranjo do sistema nervoso que se possa qualificar como atividade cerebral em qualquer nível, a não ser neurônios tentando se conectar."
Drauzio continua: "Muitos consideram que a vida humana começa no instante da fecundação. Mas, por esse raciocínio, a então vida começa antes, porque o espermatozoide é vivo e o óvulo também."
Religiosos e políticos
O médico faz críticas duras a quem argumenta contra o aborto a partir de princípios religiosos.
"O poder das igrejas católicas e evangélicas é absurdo", diz. "Mas não está certo a maioria impor sua vontade. Respeitar opiniões das minorias é parte da democracia. Tem que respeitar os outros, o modo dos outros de ver a vida."
À reportagem, Varella diz que discorda dos que culpam exclusivamente o governo pela epidemia.
"O estado brasileiro falha em muitos níveis. Mas não dá pra colocar a culpa toda no Estado, essa é uma visão muito passiva. Larga-se o pneu com água armazenada, deixa-se a água acumular na calha... Esta culpa é compartilhada, a sociedade tem uma fração importante nessa luta."

Violência continua em alta; 63 homicídios no mês passado


  • ISMAEL ARAÚJO / O ESTADO
  • Além desses números, foram registrados ainda três latrocínios, três mortes em confronto com a polícia e três a esclarecer, o que totalizou 72 mortes

Bruno de Jesus Vilar e Maxuel dos Santos suspeitos da morte de Wilson da Silva Gomes
Bruno de Jesus Vilar e Maxuel dos Santos suspeitos da morte de Wilson da Silva Gomes (Foto: Flora Dolores)
Número de mortes violentas na Região Metropolitana de São Luís continuou alto no primeiro mês de 2016, mesmo apresentando uma diminuição de 38 casos em relação a janeiro de 2015, que somou 110 ocorrências. Em janeiro deste ano, dados do Centro Integrado de Operações de Segurança (Ciops) revelaram o registro de 63 homicídios dolosos, três casos de latrocínios, três mortes em confronto com a polícia e três mortes a esclarecer.
No último dia do mês, com as prévias de carnaval, ocorreram seis homicídios dolosos, na Grande Ilha. Uma das vítimas foi Stefferson Silva Hissa, de 28 anos, morto a tiros no Jardim Tropical. A segunda vítima foi Josivaldo Almeida Silva, de 38 anos, no Sá Viana. Foram mortos ainda Francisco de Assis Silva Melo, de 44 anos, no bairro Brisas do Mar; Wilson da Silva Brito, de 48 anos, no Iguaíba, e Gleydson Leandro da Silva Ramos, no Pau Deitado, área de Paço do Lumiar.
Também no dia 31 foi registrada a morte de Arildes Cutrim Amorim, de 44 anos, no bairro Desterro. O delegado Augusto Barros, da Superintendência Estadual de Investigação de Homicídios e Proteção à Pessoa (SHPP), informou que o crime ocorreu ainda por volta das 22h30, nas proximidades do Mercado do Peixe. A vítima teria levado um golpe de faca no pescoço.
Os policiais civis, que começaram a investigar o caso e na manhã de ontem, prenderam Fábio Costa Dias, que foi conduzido à sede da SHPP, no Centro. A motivação do assassinato seria uma desavença antiga entre o autor e a vítima. O delegado Cláudio Santos Barros lavrou o flagrante pelo crime de homicídio e o acusado foi encaminhado para o Centro de Triagem de Pedrinhas onde vai ficar preso à disposição da justiça.
A equipe da SHPP prendeu, também, Maxuel dos Santos Silva, Bruno de Jesus Vilar de Moraes e apreendeu um adolescente, de 17 anos, no dia 28 de janeiro. Eles estavam sendo acusado de cometerem um latrocínio e teve como vítima Adilson Ribamar Nassar Costa, no dia 6 do mês passado, no bairro Vila Palmeira. Outros dois casos de latrocínios, que vitimaram Wilson da Silva Gomes, de 55 anos, no dia 10; e Antônio Carlos Veras, no dia 20, na Vila Luizão, continuam sem autoria definida.
Mais mortes
Na madrugada de ontem, a polícia já registrou o assassinato a pauladas de Fabiano Oliveira Santos, o Tucum, de 32 anos, no Residencial Turiuba, em São José de Ribamar. A autoria do crime ainda não foi definida. Há informações de que a vítima era ex-presidiária e estava na liberdade condicional.
Também ontem, na cidade de Miranda do Norte ocorreu um crime bárbaro. Segundo informações da polícia, Francisca das Chagas da Silva, de 34 anos, foi morta a golpes de faca e o seu corpo foi jogado na lama. O corpo foi encontrado despido com marcas de perfurações nas costas, no pescoço e no peito.
A polícia ainda ontem não tinha efetuado a prisão do autor desse crime e o corpo foi encaminhado para o Instituto Médico Legal (IML), em São Luís para ser periciado, pois, há informes que a vítima teria sofrido abuso sexual antes de ser morta.
Número
72 É o número de mortes violentas ocorridas no primeiro mês deste ano, na Região Metropolitana de São Luís, sendo 63 homicídios dolosos

Medida autoriza entrada de agentes de combate em casas abandonadas

AGÊNCIA SAÚDE

  • Entrada forçada deve ser feita por profissional devidamente identificado.

Foto: Flora Dolores/O Estado
BRASÍLIA - Medida Provisória publicada nessa segunda-feira (1º), no Diário Oficial da União (DOU), autoriza a entrada forçada de agentes públicos de combate ao mosquito Aedes aegypti em imóveis públicos ou particulares que estejam abandonados, ou no caso de ausência de pessoa que possa permitir o acesso ao local.
O documento é assinado pela presidente Dilma Rousseff e pelo ministro da Saúde, Marcelo Castro, e concede permissão a autoridades de Saúde federais, estaduais e municipais. A medida deve ser tomada apenas em situações excepcionais e visa permitir a execução das ações de combate ao mosquito Aedes aegypti e seus criadouros.
De acordo com o texto da Medida Provisória, a entrada forçada em imóveis deve ser feita por profissional devidamente identificado, e deve correr apenas quando a ação se mostrar essencial à contenção das doenças provocadas pelo Aedes (Zika, dengue e chikungunya), em áreas identificadas como potenciais possuidoras de focos transmissores. Além disso, para ficar comprovada a ausência de uma pessoa que possa autorizar a vistoria, é necessário que o agente realize duas notificações prévias, em dias e horários alternados e marcados, num intervalo de dez dias. Essas ações anteriores devem ser descritas devidamente registradas em relatório.
Cabe destacar que a integridade do imóvel deve sempre ser preservada, ou seja, após a ação, deve-se manter as características físicas do imóvel conforme encontradas. O Ministério da Saúde recomenda que a visita sempre seja acompanhada por autoridades policiais. O texto da Medida também será aplicado sempre que se verificar a existência de outras doenças, com potencial de proliferação ou de disseminação ou agravos que representem grave risco ou ameaça à saúde pública, condicionada à Declaração de Emergência em Saúde Pública.
Visitas
Até a segunda semana de visitas às residências, ocorridas em janeiro, os agentes de saúde e militares das Forças Armadas percorreram mais de 10,9 milhões de domicílios, sendo que destes, 2,7 imóveis estavam fechados e em outros 45 mil houve recusa dos proprietários. Estes e outros dados estão registrados na Sala Nacional de Coordenação e Controle (SNCC) de Enfrentamento à Microcefalia, instituída pelo governo federal para o enfrentamento ao Aedes e à microcefalia.
Os 10,9 milhões de domicílios visitados pelos agentes de saúde e militares das Forças Armadas representam 22,2% dos 49,2 milhões previstos, conforme balanço da Sala Nacional de Coordenação e Controle (SNCC) de Enfrentamento à Microcefalia.
O relatório contabiliza 3.183 municípios visitados, dos 5.570 definidos para serem vistoriados pelas equipes de combate em todo o país. Ao todo, 22 Estados e o Distrito Federal registraram cobertura de visitas domiciliares no Sistema Informatizado de Monitoramento da Presidência da República (SIM-PR). Paraíba continua com o maior número percentual de imóveis trabalhados, com 74,6%. Na sequência, aparecem Piauí (56,99%), Sergipe (47,49%) e Rondônia (46,65%) em quantidade de visitas domiciliares.
São Paulo é o Estado com mais imóveis visitados, totalizando 2,6 milhões, com 21,6% de cobertura, seguido do Rio de Janeiro, com 1,9 milhão (38,3%) e Minas Gerais, com 1,2 milhão (24%). Os Estados do Amazonas, Amapá, Rio Grande do Sul e Roraima não enviaram dados relativos às visitas, até o fechamento do balanço, na última quinta-feira (28).
Durante as visitas, foram identificados 355 mil imóveis com focos do mosquito, ou seja, 3,25% do total. Além disso, houve a recusa de acesso a 45.719 imóveis. Houve, ainda, 2,7 milhões de domicílios fechados. A meta é reduzir o índice de infestação para menos de 1% de domicílios com foco.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Dilma assina Medida Provisória para combate ao mosquito Aedes

Texto prevê entrada em imóveis abandonados para destruir foco de larvas.
Medida foi publicada nesta segunda no 'Diário Oficial da União'.

Do G1, em Brasília

O governo publicou no "Diário Oficial da União" desta segunda-feira (1º) a Medida Provisória que determina ações para o combate ao mosquito Aedes aegypti, que transmite a dengue, a zika e a  chicungunya. A medida foi assinada pela presidente Dilma Rousseff e pelo ministro da Saúde, Marcel Castro.
O texto permite que agentes de saúde possam forçar  a entrada em imóveis públicos ou particulares para destruir focos do mosquito, mesmo quando o dono não for localizado ou o local estiver abandonado.
Também está previsto na MP que os agentes de saúde poderão pedir ajuda a polícia quando julgarem necessário para entrar em algum local com suspeita de ter criadouros do Aedes.

 

Ator, que fez o "Chris", considera exagerados os comentários de fãs brasileiros

Fãs passaram a postar bordões da série nas redes sociais dele.
SÃO LUÍS - O ator Tyler James Williams, que protagonizou a famosa série "Todo Mundo Odeia o Chris", considerou exagerada a frequência de comentários de brasileiros nas redes sociais.
É que os fãs do Brasil passaram a postar bordões da série nos comentários de algumas fotos postadas pelo ator, em momentos da vida pessoal. Apesar de achar exagero, ele elogiou os brasileiros. "Isso é muito louco! Todos eles são maravilhosos! Mas, assim como o spam, isso não deveria acontecer dessa forma, certo? É um pouco demais", escreveu no Twitter.

Empresas de ônibus de São Luís com problemas de acessibilidade serão multadas por falhas

Frota de transporte urbano da capital maranhense será alvo de fiscalização que ocorrerá nesta segunda-feira (1º)

Maria de Jesus teve sua acessibilidade negada e precisou jogar sua cadeira de rodas e sair rastejando do ônibus da linha Sol e Mar porque o elevador do coletivo não funcionava
Maria de Jesus teve sua acessibilidade negada e precisou jogar sua cadeira de rodas e sair rastejando do ônibus da linha Sol e Mar porque o elevador do coletivo não funcionava (Foto: Reprodução/ TV Mirante)
SÃO LUÍS - A frota do transporte urbano de São Luís será fiscalizada nesta segunda-feira (1º) por agentes da Secretaria Municipal de Trânsito e Transportes (SMTT). Após polêmica em que cadeirante passa por maus bocados ao tentar descer de um coletivo na capital, o órgão quer fazer um levantamento sobre a quantidade de veículos sem elevadores de acessibilidade ou que não estejam funcionando.
As equipes da SMTT vão se concentrar no ponto final dos coletivos para execução da vistoria. Em caso de identificação de irregularidade ou problema no funcionamento do elevador, o veículo deverá ser apreendido e a empresa, que será multada, vai ter 15 dias para realizar a adequação.
Na última semana, uma empresa foi multada por descumprimento das condições exigidas para a prestação do serviço contratado pela Prefeitura de São Luís. O veículo foi vistoriado pela órgão municipal e constatado o problema, houve a apreensão.
Segundo a Prefeitura de São Luís, o sistema de transporte público da capital conta com 874 ônibus e, do início de 2013 até agora, o percentual de ônibus adaptados com elevadores, que era de 50%, subiu para 79% da frota. Os coletivos circulam divididos em 168 linhas atendendo mais de 760 mil usuários.

Bandidos roubam e ateiam fogo em escola sem vigilância

A Semed disse que nova empresa de vigilância está sendo contratada.
Foto: Reprodução/TV Mirante
SÃO LUÍS – Um escola foi incendiada nesse fim de semana na capital maranhense. A Unidade de Ensino básico (Ueb) Roseno de Jesus Mendes, que fica na Vila Janaína, apresenta vários problemas de segurança, que a tornam alvo fácil de vândalos.
Bandidos atearam fogo na sala dos professores e destruíram livros e fardas de alunos. Até a manhã desta segunda-feira (1º), ainda havia estilhaços de vidro perto das janelas, que foram vedadas por funcionários com mesas e cadeiras.
A escola não conta com serviço de vigilância e, por isso, o acesso é fácil para qualquer pessoa. A Ueb está sem merenda porque também foi roubada.
Por meio de nota, a Secretaria Municipal de Educação (Semed) afirmou que a Polícia Militar do Maranhão (PM-MA) e a Guarda Municipal farão a segurança no entorno da escola. Além disso, uma nova empresa de vigilância está sendo contratada. Com relação aos danos, a escola passará por todas as reformas necessárias, diz a nota. Leia abaixo na íntegra:
A Secretaria Municipal de Educação (Semed) informa que já entrou em contato com a Polícia Militar e a Guarda Municipal no sentido de reforçar a parceria para a segurança na área próxima à unidade de ensino. A Semed reforça também que está realizando ajustes no contrato com a empresa terceirizada responsável pela vigilância e que a escola em questão receberá os devidos serviços. A Secretaria esclarece ainda que os reparos que forem necessários na unidade de ensino serão feitos durante o período de férias escolares, que já iniciou.