Em São Sebastião do Caí, rio chegou a 12 metros acima do nível normal.
Desde o final de semana, estado registra prejuízos em 38 cidades.
A Região Metropolitana de Porto Alegre foi uma das mais afetadas pela
chuva que atinge o estado desde a noite de domingo (16). Desde o final
de semana, o Rio Grande do Sul registra prejuízos em, pelo menos, 38
cidades, sendo que quase 1 mil residências foram afetadas.
Na segunda-feira (17) a Defesa Civil apontava com 52 famílias fora de
casa, mas o número aumentou na madrugada desta terça-feira (18) e a
tendência é seguir em elevação. Os vales do Caí e do Rio Pardo também
sofrem as consequências da chuva, com cheias de rios e moradores
retirados de suas residências.
São Sebastião do Caí
Na cidade de São Sebastião do Caí, o rio Caí chegou aos 14,27 metros às
7h desta terça-feira (18). O normal são 2 metros. Com isso, 65 famílias
tiveram que ser retiradas de suas casas - cerca de 210 pessoas. Elas
foram levadas para um abrigo da cidade, localizado no Parque Centenário,
onde passaram a noite. A Defesa Civil estima que o rio deve chegar aos
14 metros acima do normal, o que deve aumentar ainda mais o número de
desabrigados e desalojados.
Cheia do Rio Caí alagou ruas em São Sebastião
do Caí (Foto: Reprodução/RBS TV)
Durante a madrugada desta terça-feira (18), moradores tiveram que
deixar as suas casas por conta do avanço da água em cinco bairros, onde a
água brotava dos bueiros.
“A preocupação é com a água entrar dentro da nossa casa”, dizia a
diarista Elizete Loureiro, que não conseguiu dormir por conta da
situação.
“Nós temos um levantamento de todas as famílias, de 20 em 20
centímetros. Quando o rio sobe, sabemos quantas famílias tem que ser
retiradas”, afirma o prefeito de São Sebastião do Caí, Darci Lauremann.
Novo Hamburgo
Na segunda-feira (17), 300 casas foram atingidas por alagamentos
provocados pela cheia de arroios com o Gauchinho, em Novo Hamburgo, no
Vale do Sinos, e as famílias tiveram que ser levadas para abrigos. “Tem
bastante lodo, sujeira, e a água está entrando nas casas”, afirmou a
agente comunitária Maria Eva da Luz.
Em 10 horas, choveu 50% mais que o esperado para todo o mês de outubro
em Novo Hamburgo, e a situação preocupa para os próximos dias por conta
da vazão dos rios. “Nós temos ainda toda a água que vem do rio do Sinos,
da Região Norte, dos municípios de Rolante e Três Coroas”, afirma o
major Alexandro Nascimento Goi, da Defesa Civil.
Por conta da situação, um abrigo foi montado no Centro de Referência de
Assistência Social, localizado no bairro Santo Afonso, onde também é
possível fazer doações. “A gente sempre precisa de lençóis,
travesseiros, (material) higiene pessoal, roupa de criança, fraldas e
alimentos em gerl”, afirma a assistente social da prefeitura de Novo
Hamburgo Tatiana Heckler.
Pantano Grande
De acordo com a Defesa Civil estadual do Rio Grande do Sul, a cidade de
Pantano Grande, na Região Central, é uma das que mais teve casas
afetadas, cerca de 400 de acordo com o último levantamento oficial
divulgado na noite de segunda-feira (17).
Chuva provocou alagamento em Pantano Grande
(Foto: Reprodução/RBS TV)
Seis bairros de Pantano Grande foram afetados pelas enchentes, uma vez
que a chuva causou transbordamentos, e a água que deveria escoar pela
BR-290, acabou ficando represada pela rodovia.
Em protesto, eles resolveram bloquear a rodovia por cerca de sete
horas, na altura do km 217, e só deixaram o local após ouvirem do
Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) a promessa
de que o problema seria resolvido.
Caxias do Sul
A Serra gaúcha também foi muito atingida pelas chuvas. Caxias do Sul
teve 73 milímetros de chuva, 50% do esperado para todo o mês, em apenas
seis horas. Os temporais provocaram ainda bloqueios na região, com a
BR-116 totalmente bloqueada em Nova Petrópolis, próximo ao acesso de
Ninho das Águas. O Dnit informou que vai avaliar as condições do
asfalto.
Na ERS-122, entre Farroupilha e São Vendelino, uma árvore caiu e deixou
o tráfego em meia pista. A ERS-446, entre Carlos Barbosa e São
Vendelino, teve queda de barreira, que deixa o trânsito parcialmente
interrompido.
Santa Cruz do Sul
A preocupação na cidade é com o Rio Pardinho, que deve invadir casas do
bairro Várzea nesta terça-feira. Ainda na segunda-feira (17), moradores
da localidade de Júlio de Castilhos, no interior da cidade, levaram o
susto após uma ponte de concreto entregue há pouco tempo ser levada pela
correnteza do Arroio Castelhaninho. Uma ponte de madeira, que fica ao
lado, também desabou.
O prefeito da cidade, Telmo Kirst, afirmou que vai buscar ajuda junto
ao Exército porque sem as pontes, os moradores precisam percorrer um
trajeto de oito quilômetros.
Nova Petropólis
A chuva obrigarou 29 pessoas a deixarem suas casas no município de Nova
Petrópolis. Destas, 21 estão em um abrigo no centro da cidade. De
acordo com o Corpo de Bombeiros Voluntários, 21 moradores da localidade
de São José do Caí estão no salão da igreja luterana. Esses moradores
tiveram as casas alagadas.
Outras oito pessoas estão na casa de parentes. São moradores de duas
casas no bairro Pousada da Neve. As residências foram inteditadas por
risco de desabamento e passarão por nova avaliação nesta terça-feira
(18). No município vizinho, Picada Café, cinco famílias foram para a
casa de parentes porque tiveram as casas alagadas.
Cachoeira do Sul
Os moradores de Cachoeira do Sul também enfrentam problemas devido à
chuva. Na Vila Piquiri, no interior do município, são cerca de 15
famílias prejudicadas pela cheia do arroio que passa pela região.
Pessoas tiveram que ser resgatadas de casa. Quem precisou de abrigo foi
levado, pelo Exército e pela Defesa Civil, ao Pavilhão da Comunidade.
Vera Cruz
Em Vera Cruz, Vale do Rio Pardo, a ventania de domingo (16) levou parte
do telhado de um Centro de Tradições Gaúchas (CTG). A área de 300
metros quadrados, usada para jogos de bocha da entidade, teve a
cobertura de madeira e zinco arrancada. Ninguém estava no local no
momento do temporal.
Venâncio Aires
No interior de Venâncio Aires, três estradas vicinais ficaram
interrompidas: Linha Antão, Linha Armando e Marechal Baixo. Três escolas
suspenderam as aulas na segunda-feira.