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segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

‘Sinto que nasci de novo’, diz Pedro Leonardo após acidente

Fantástico visitou a fazenda do cantor Leonardo, onde seu filho, Pedro Leonardo, se prepara para a etapa final de sua recuperação.

O Fantástico foi até o interior de Goiás, para a fazenda do cantor Leonardo. É lá que seu filho, Pedro Leonardo, se prepara para a etapa final de sua recuperação. Pedro se acidentou depois de um show em Uberlândia (MG) em abril de 2012. Ficou 81 dias internado; 30 em coma.
São 40 minutos de voo de Goiânia até a fazenda. É lá que o Leonardo costuma reunir todos os anos os seis filhos durante as férias. Por isso, é um momento muito especial para o Pedro e para toda a família depois de tudo que aconteceu.
Renata Ceribelli: Olha só a mordomia em que a gente encontrou o Pedro. Só quer sossego?
Pedro Leonardo: Aqui é só sossego.
Tem bastante gente na fazenda. Dos seis filhos de Leonardo, cinco já chegaram. Além do Pedro, tem o Mateus, de 15 anos, a Jéssica de 18, o José Felipe, de 14, e o João de 10. Cada um de uma mãe diferente. E tem a Taís, que não é filha de Leonardo, mas também é irmã de Pedro por parte de mãe.
Pedro: Estar aí com a minha família neste momento é fantástico. Mas, para mim, voltar aqui depois de tudo, depois de tudo que eu passei. É a primeira vez que eu volto. É uma vitória, é uma luta, é uma paz, sabe? Estou aqui com a minha filha, vejo ela correndo na varanda dia e noite. Minha mãe atrás, a mãe dela atrás.

Renata: Como é que está a sua recuperação? De um a cem, você diria que você está.
Pedro: 98.
Renata: O que falta?
Pedro: Falta só o manguito do ombro. É um nervo que permite mexer o ombro. Não é uma cirurgia complicada nem de risco.
Renata: Sua fala está perfeita?
Pedro: A fala está melhorando. “Melhorando” era uma palavra que eu não falava de jeito nenhum.
Renata: Mas o que você já evoluiu com a fonoaudiologia já te permite subir em um palco e cantar?
Pedro: Sem problemas. Eu me sinto bem demais cantando. As dificuldades na hora em que você está cantando não são invencíveis. A dificuldade pode ser grande ou pequena, mas é certeza que você vai vencer.
Renata: Pedro, o que você se lembra do acidente? Qual a última imagem que você se lembra antes do acidente?
Pedro: Não me lembro. Nenhuma.
Renata: Quando você vê tudo que aconteceu com você o que você pensa? O que sente?
Pedro: Cara, eu sinto que eu nasci de novo.
Renata: Qual foi o momento mais difícil?
Pedro: O que mais me incomodou foi a voz. Minha extensão vocal diminuiu demais.
Renata: Isso para um cantor sertanejo é terrível, não é?
Pedro: É, porque eu sempre cantei lá em cima, sempre. Então, eu queria voltar a ser o que eu era.
Renata: Você já tá 98%...
Pedro: Só faltam esses dois. Relaxa, Relaxa.
Renata: A fonoaudióloga vai tirar essa graça do seu sotaque? Você vai falar só falta esses dois? Ou vai continuar falando só “farta” esses dois?
Pedro: Só “farta” esses dois. É isso mesmo. Esse é o Pedro Leonardo.
E o pai de Pedro Leonardo é de quem, com certeza, ele herdou o lado otimista e brincalhão.
“Tudo tem um gosto especial. A gente estar aqui podendo relembrar tudo que aconteceu com alegria hoje, porque foi uma vitória muito grande. A gente vê a melhora dele, a cada dia que passa ele está melhor”, diz o cantor Leonardo.
Leonardo está tão feliz com a recuperação de Pedro que faz um convite ousado: ele quer que o filho volte a montar a cavalo pela primeira vez depois do acidente. Pedro aceita. Ainda precisa de ajuda mas depois é só diversão.
Renata:  Pedro, você montar em um cavalo novamente é um desafio ainda maior hoje em dia?
Pedro: É gratificante. Era praticamente impossível. Subir em um cavalo eu nem pensava. A dificuldade era para andar.
Renata:  Você tinha medo de nunca mais conseguir estar em cima de um cavalo?
Pedro: Medo eu nunca tive. Eu acho que para Deus tudo tem o seu tempo. Sabia que tinha o tempo dele e tinha que esperar.
Renata: Mas você sabia que isso talvez pudesse acontecer, né Leonardo?
Leonardo: Com certeza. Estava difícil até para sobreviver, mas esta aí a prova de que tudo aconteceu e que a gente está forte.
Renata Ceribelli: A força da família foi fundamental?
Pedro: Uma força fundamental que eu tive acima de tudo foi minha filhinha, Maria Sofia. Queria ver ela crescer, andar..
Renata Ceribelli: Como vocês se sentem, os irmãos, de ver o Pedro bom?
“Inexplicável. A melhor coisa”, disse Matheus.
Renata Ceribelli: Vocês tinham medo dele não estar aqui com vocês novamente?
“Eu sempre acreditei. Deus parece que mostrou que nada ia acontecer, eu tinha certeza que nada ia acontecer”, disse Jéssica.
“Nos primeiros dias que eu o vi no hospital o ‘trem’ foi feio”, contou José Felipe.
“Foi muito bom vê-lo aqui de novo porque eu achei que ele não ia estar bom como agora, que não iria ser como antes”, disse João.
O próximo desafio do Pedro agora é voltar para o palco em um show para valer, junto com Tiago, o seu parceiro. Mas a família toda já está prometendo que vai estar presente e não só para homenagear, simplesmente. Vai todo mundo cantar.

Sta. Maria – A maior tragédia de nossas vidas

Do blog do Noblat/ Por Fabrício Carpinejar. “Poeta, cronista e louco pela verdade a ponto de mentir”

Morri em Santa Maria hoje. Quem não morreu? Morri na Rua dos Andradas, 1925. Numa ladeira encrespada de fumaça.
A fumaça nunca foi tão negra no Rio Grande do Sul. Nunca uma nuvem foi tão nefasta.
Nem as tempestades mais mórbidas e elétricas desejam sua companhia. Seguirá sozinha, avulsa, página arrancada de um mapa.
A fumaça corrompeu o céu para sempre. O azul é cinza, anoitecemos em 27 de janeiro de 2013.
As chamas se acalmaram às 5h30, mas a morte nunca mais será controlada.
Morri porque tenho uma filha adolescente que demora a voltar para casa.
Morri porque já entrei em uma boate pensando como sairia dali em caso de incêndio.
Morri porque prefiro ficar perto do palco para ouvir melhor a banda.
Morri porque já confundi a porta de banheiro com a de emergência.
Morri porque jamais o fogo pede desculpas quando passa.
Morri porque já fui de algum jeito todos que morreram.
Morri sufocado de excesso de morte; como acordar de novo?
O prédio não aterrissou da manhã, como um avião desgovernado na pista.
A saída era uma só e o medo vinha de todos os lados.
Os adolescentes não vão acordar na hora do almoço. Não vão se lembrar de nada. Ou entender como se distanciaram de repente do futuro.
Mais de duzentos e cinquenta jovens sem o último beijo da mãe, do pai, dos irmãos.
Os telefones ainda tocam no peito das vítimas estendidas no Ginásio Municipal.
As famílias ainda procuram suas crianças. As crianças universitárias estão eternamente no silencioso0
Ninguém tem coragem de atender e avisar o que aconteceu.
As palavras perderam o sentido.

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Jovem atropela quatro pessoas em Imperatriz

 Blog do Luís Pablo     

          A polícia de Imperatriz procura Jessé Leite Filho, de 31 anos, suspeito de atropelar quatro jovens, na madrugada de ontem, dia 26, na Praça da Cultura, Centro da cidade. 

Jessé Leite Filho é suspeito de atropelar quatro jovens
Jessé Leite Filho é suspeito de atropelar quatro jovens

        As vítimas são Davison de Jesus Almeida, 22 anos, Carlos Eduardo Sousa Lima, 23 anos, Caio Rehbein Santos, 23 anos e Rebecca Eduardo da Silva. Esta última, em estado mais grave. Ela sofreu fratura na bacia e trauma encefálico e precisou passar por cirurgia, por mais de cinco horas, para retirar um coágulo do cérebro. Os demais sofreram lesão corporal e foram medicadas.
        Segundo depoimentos à policia, Jessé Filho teria uma rixa com Davison e ao avistá-lo saindo de uma boate teria jogado a camionete, uma Autlander Mitsubishi, sobre o grupo, acertando Davison e os três amigos. Davison tentou se esquivar, mas foi atingido, sofrendo escoriações em várias partes do corpo.
       A jovem Rebecca foi jogada para cima devido a violência do impacto. Jessé teria fugido em alta velocidade. Os jovens registraram ocorrência e, segundo o delegado Assis Ramos, no Plantão Central da Regional de Imperatriz, Jessé pode responder por tentativa de homicídio.

Reincidência

          Essa não teria sido a primeira vez que Jessé se envolveu em acidente. Há cinco anos, ele se envolveu em acidente que resultou na morte de um jovem de 17 anos. Na ocasião, moradores revoltados com o caso, espalharam outdoors na cidade denunciando o crime e pedindo justiça.
Jessé respondeu em liberdade por homicídio culposo, quando não há intenção de matar. Pelo ocorrido, chegou a passar alguns anos fora da cidade. A reportagem de O Progresso tentou contato com o suspeito em sua residência, mas ninguém soube informar; a família também não foi encontrada. As informações são do Imparcial.

ACIDENTE COM VÍTIMA FATAL NA BR 222, EM CHAPADINHA

Blog do William Fernandes


Sábado ( 26/01/2013), por volta das 20h20, na BR 222, há cerca de 10km de Chapadinha, um acidente envolvendo um carro Toyota SW4 e uma moto.

Segundo informações preliminares, o carro, que trafegava sentido Chapadinha, seria de propriedade de um delegado que atua na cidade de Tutóia/MA (250km de Chapadinha). O delegado teria dito que o motociclista invadiu a contramão repentinamente, provocando a colisão.

Um guarda municipal de Chapadinha que passou pelo local minutos depois, informou ao blog, que a moto ficou completamente destruída e que o motociclista, ainda não identificado caiu no abismo, próximo a uma ponte sobre um riacho que corta a rodovia.

O PM a e Guarda foram comunicadas sobre o fato e se deslocaram ao local. O Hapa foi informado logo em seguida, pela PM, que solicitou uma ambulância para o traslado de um corpo.

sábado, 26 de janeiro de 2013

BREJO: Cetecma Abre Inscrições para Cursos do Primeiro Trimestre de 2013

Blog Chapadinha Site.com

As inscrições para os cursos técnicos do primeiro trimestre de 2013 nos Centros de Capacitação Tecnológica do Maranhão (Cetecmas) serão abertas, nesta segunda-feira (28). Serão oferecidas 4.080 vagas nas 11 unidades do Cetecma e no Centro Vocacional Tecnológico Estaleiro Escola, em São Luís.
Os interessados devem fazer uma pré-inscrição no site da Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Sectec), de segunda-feira (28) a 15 de fevereiro, no endereço www.sectec.ma.gov.br
Podem se inscrever maiores de 18 anos que tenham concluído o Ensino Médio. Caso a procura seja maior que o número de vagas serão utilizados critérios de desempate, como renda familiar, coeficiente escolar, ter estudado em escola pública e estar ou não no mercado de trabalho.
As aulas iniciarão no dia 25 de fevereiro e vão até o dia 22 de maio. Os aprovados na pré-inscrição poderão fazer suas matrículas nas unidades do Cetecma, entre os dias 18 e 20 de fevereiro, apresentando os documentos pessoais (originais e cópias), como RG, CPF, Certificado de Conclusão do Ensino Médio, comprovante de endereço, além de duas fotos 3 X 4.
Os cursos oferecidos são de Auxiliar de Agronegócio, Auxiliar de Instalações Elétricas, Auxiliar de Eletrônica de Manutenção, Auxiliar de Contabilidade/Informática, Auxiliar de Telecomunicações, Auxiliar Administrativo / Informática e Montagem e Manutenção de Micro. Cada curso tem carga horária de 160 horas, divididas em 100 horas de aulas presenciais mediadas por tecnologia e 60 horas de estudos dirigidos. Serão oferecidas 30 vagas por turma.
Ao final do curso, em maio, os alunos com melhor rendimento (melhores notas e maior frequência) serão encaminhados ao Programa “Estágio Viva Primeiro Emprego”, programa desenvolvido pelo Governo do Estado, por meio da Sectec, com bolsa no valor de R$ 620,00, paga pelo Governo.
Além dos cursos técnicos, as aulas do curso preparatório para o vestibular, com ênfase no Enem, o Etapa Pré-Vestibular, também iniciará no dia 25 de fevereiro, nas 11 unidades do Cetecma e em 92 escolas da Secretaria de Estado de Educação (Seduc).
As informações são da Secom do Governo do Estado

INSS revisa benefícios e diz que pagará diferenças a 454 mil pessoas




Informação foi divulgada pelo Ministério da Previdência Social.

Houve reinterpretação da fórmula de cálculo da renda mensal.

Do G1, em Brasília

O Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) informou nesta sexta-feira (25) que 2,3 milhões de benefícios foram revistos e que 454 mil pessoas têm "diferenças a receber" do instituto, já na folha de pagamento de janeiro.
(Correção: ao ser publicada, esta reportagem errou ao dizer que a mudança atinge 2,3 milhões de beneficiários. Na verdade, são 2,3 milhões de benefícios. O erro foi corrigido às 18h53.)
"O INSS ainda está analisando outros 2,2 milhões de benefícios que serão concluídos nos próximos meses", acrescentou o governo. Os benefícios revisados se devem à uma mudança na interpretação do inciso II do Artigo 29 da Lei 8.213 de 1991, que trata da fórmula de cálculo da renda mensal dos benefícios por incapacidade ou pensões por morte deles originadas.

Recebimento

Segundo o Ministério da Previdência Social, a revisão está sendo realizada automaticamente e não é necessário que os beneficiários procurem uma Agência da Previdência Social (APS). "Aqueles que têm direito à revisão vão receber a correspondência em sua residência. O primeiro lote de cartas, informando a data e o valor do pagamento, foi liberado nesta sexta-feira (25)", informou.
O INSS também disponibilizou sistema de consulta ao resultado da revisão no site da Previdência Social na internet e por meio da Central de Atendimento 135, que funciona de segunda a sábado, das 7h às 22h. Porém, o valor do pagamento não será informado pela Central 135 e nem pela internet, concluiu.
 
A revisão

"A revisão é fruto do cumprimento do acordo firmado em agosto de 2012, entre o INSS, o Ministério Público Federal e o Sindicato Nacional dos Aposentados e Pensionistas da Força Sindical, homologado pela Justiça Federal em São Paulo, no âmbito da Ação Civil Pública (ACP)", informou o Ministério da Previdência.
Segundo o governo, a revisão abrange o reprocessamento de mais de 17,4 milhões de benefícios pagos pelo instituto e concedidos entre os anos de 2002 e 2009. Do total de benefícios revisados, 11,5 milhões não se enquadraram nos critérios da alteração legal; 1,2 milhão, apesar de revistos, não tiveram qualquer alteração na renda mensal e 2,3 milhões de benefícios foram revistos e possuem diferenças a receber, enquanto ainda estão sendo analisado outros 2,2 milhões de benefícios.
"O pagamento da renda mensal atualizada para 454 mil beneficiários que possuem benefícios ativos será realizado já na folha de janeiro, que começa a ser paga no dia 25. Como os segurados que se enquadram nos critérios da alteração legal têm seus benefícios acima do salário mínimo, o pagamento estará disponível a partir do dia 1º de fevereiro", informou o Ministério da Previdência Social.
 
Gasto anual do INSS subirá R$ 637 milhões

Segundo o governo, a correção da renda mensal desses benefícios acarretará um aumento de R$ 49 milhões mensais na folha de pagamentos do INSS. "Por ano, haverá um incremento de R$ 637 milhões na folha de pagamento do instituto, levando em conta o pagamento do 13° salário", acrescentou.
 
Pagamentos de valores retroativos de benefícios cessados

O INSS informou que também efetuará o pagamento dos valores retroativos (aplicada a prescrição quinquenal) para aqueles beneficiários que tiveram o direito à revisão reconhecido, entre eles, 1,8 milhão de benefícios já cessados, mas que possuem data de concessão no período abrangido pela revisão.
"O pagamento dos valores atrasados seguirá cronograma estabelecido no acordo firmado pelo INSS e será realizado de 2013 até 2022. A previsão é de que, aproximadamente, R$ 6 bilhões sejam pagos pelo instituto nesse período", acrescentou o governo.

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

ENTREVISTA CORREIO BRAZILIENSE/Pedro Taques - O adversário de Renan na disputa pelo Senado

Blog do Genivaldo Abreu.

O senador do PDT entrou em uma briga que, atá agora, não tem protagonistas, pois ninguém assume candidatura. Ele deve enfrentar o líder do PMDB, considerado favorito

JOÃO VALADARES

Considerado pelos colegas como o senador que mais conhece o ordenamento jurídico brasileiro, capaz de citar na ponta da língua vários artigos de leis com suas respectivas penas sem titubear, Pedro Taques (PDT-MT) deve oficializar sua candidatura ao Senado Federal nesta semana. Tempo suficiente para chegar a um consenso com o senador Randolfe Rodrigues (PSol-AP), que também colocou seu nome à disposição. “Não vou disputar candidatura com Randolfe. Nós defendemos as mesmas causas”, diz. Na entrevista que concedeu ao Correio, Taques reconhece que tem pouca experiência legislativa — apenas dois anos de mandato — e revela que gostaria de votar em Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE), Cristovam Buarque (PDT-DF) ou Luiz Henrique (PMDB-SC). Ele já conversou com todos e amarrou a candidatura. Ao ser questionado sobre a estratégia silenciosa de Renan Calheiros (PMDB-AL), favorito a vencer a disputa mesmo sem ainda oficializar a candidatura, o pedetista cita o antropólogo Darcy Ribeiro: “Muitas vezes você tem orgulho de suas derrotas.” O parlamentar prefere não atacar diretamente o senador Renan. Diz apenas que cabe a ele externar o motivo de não querer debater. “Isso ele tem que responder. Por que ele não quer debater? Eu quero debater propostas. Nada pessoal contra quem quer que seja.”
Taques defende um Senado que não seja apêndice do Executivo e um novo pacto federativo, tendo a Casa como protagonista do processo. “Por que as medidas provisórias pautam a agenda nacional? Por que nós não pautamos a agenda nacional?”, pergunta em tom desafiador.

Por que o senhor decidiu lançar candidatura à Presidência do Senado?
Eu defendo que existam candidatos. Essa candidatura não pode ser contra quem quer que seja. Tem que ser uma candidatura a favor do Poder Legislativo. Não me parece razoável que, entre 81 senadores, nós não tenhamos mais do que um candidato. Precisamos de candidatos para debater propostas e ideias de um Senado da República. Eu tenho comentado com vários senadores: defendo candidatura de pessoas que tenham mais conhecimento das funções legislativas, como Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE), Luiz Henrique (PMDB-SC), Cristovam Buarque (PDT-DF). São pessoas mais experientes do que eu. Reconheço que não sou experiente no Legislativo. Estou ali há dois anos, apenas. Agora, se essas pessoas, por vários motivos, entenderem que não é o caso de serem candidatas, eu coloquei o meu nome à disposição. Isso não significa que serei candidato. Depende da conversa com um grupo senadores.

Então o senhor está dizendo que, oficialmente, ainda não é candidato?
Isso. Só existe candidato depois que se registra lá na Mesa (Diretora). Estou conversando com alguns senadores para saber o que eles acham disso. Conversei com Cristovam e ele concorda; com Jarbas e ele concorda; com Álvaro Dias (PSDB-PR) e ele concorda.

O grupo ao qual o senhor pertence tentou lançar a candidatura do senador Luiz Henrique. No início, ele se mostrou animado com a ideia, no entanto, desistiu depois. O que ocorreu? Pressão?
Não sei. Ele alegou questão de foro íntimo. Ele expôs que não seria candidato agora por vários motivos. A mim, ele não revelou os motivos, mas eu respeito a posição do senador do porte do senador Luiz Henrique, que é um homem de bem. Nós não podemos impor a ele que seja candidato.

Como o senhor analisa a estratégia de silêncio do senador Renan Calheiros (PMDB-AL)? Até o momento, oficialmente, o parlamentar não é candidato, mas, no Senado, todos sabem das intenções dele, inclusive com o apoio do Palácio do Planalto.
Eu já fiz três discursos a respeito disso no ano passado. Defendi que os candidatos tragam propostas. Como eu não sou eleitor de cabresto, eu não quero ser um senador de cabresto. Eu não quero ser um senador que peça votos aqui e as pessoas votem em mim sem saber o que é que eu quero fazer no Senado. Quando eu fui eleito senador, construi uma proposta. Eu quero debater isso. Eu falei isso na tribuna do Senado e o senador Renan Calheiros lá estava. Eu não sei. Não cabe a mim avaliar se ele é candidato ou não. Dizem que é candidato. Isso ele tem que responder. Por que ele não quer debater? Eu quero debater propostas. Nada pessoal contra quem quer que seja. Quero debater quais são as relações do Legislativo com o Executivo. Quero debater o que o presidente do Senado pode fazer para resolver a questão de o Congresso não passar de um apêndice do Poder Executivo. Por que as medidas provisórias pautam a agenda nacional? Por que nós não pautamos a agenda nacional? A questão do pacto federativo, por exemplo. Por que nós não votamos em 36 meses (a nova regra de distribuição do Fundo de Participação dos Estados — FPE — para alterar a legislação atual, considerada inconstitucional pelo Supremo)? Aí o Judiciário vem, decide e a culpa é do Judiciário? A nossa omissão, por diversas questões, é grave.

Na prática, é possível evitar o que ocorreu no fim do ano passado? O Congresso não votou o Orçamento e ainda houve o episódio do acúmulo gigantesco de vetos presidenciais.
É possível sim. Nós precisamos repensar essa função do Senado no debate sobre o pacto federativo. Aí entra a questão dos royalties do petróleo e os vetos. Como é possível nós passarmos por um espetáculo dantesco como aquele que ocorreu no fim do ano, em que chegam verdadeiras mortuárias da nossa vergonha que é a questão da não derrubada do veto. Aquilo ali é ridículo. Eu não votaria os (mais de 3 mil) vetos daquela forma (em pacote, como propuseram algumas lideranças).

Na hipótese de o senhor vencer a eleição, o que mudaria imediatamente na relação do Senado com os outros poderes?
Diante do momento de crise que nós estamos vivendo, nesse contexto de crise econômica internacional, entendo que nós devemos deixar de pensar um pouco em politicalha e pensar em políticas estruturantes para o Brasil. O Senado e o Congresso Nacional não só podem como devem auxiliar neste momento. Mas o Congresso não pode abrir mão de legislar. Efetivamente, o Senado tem que legislar. Na questão do pacto federativo, temos que ter coragem e fazer uma reflexão sobre isso. A sociedade brasileira não está funcionando decentemente em razão da falha do pacto federativo. Temos uma grande arrecadação por parte da União e o repasse através das emendas parlamentares individuais num primeiro momento, e através dos fundos — FPE e FPM (dos municípios) — no segundo momento. Você tem parlamentares que são verdadeiros despachantes do Orçamento da União. O Executivo escraviza o parlamentar através das emendas parlamentares individuais. Libera, não libera. É o momento de nós debatermos o orçamento impositivo. É um tema que eu gostaria de pautar. A questão das emendas, do pacto federativo e a redefinição do Orçamento da União para evitar que os prefeitos fiquem com o pires na mão pedindo dinheiro a deputado e senador. Isso tem que ser feito dentro do Poder Legislativo.

Mas, em termos práticos, é possível essa independência total do Legislativo em relação ao Executivo?
Em Estados sérios isso é possível. Ou você acha que esse tipo de barganha existe no Senado americano? Pode existir, mas não nessa quantidade. Na questão fiscal dos EUA, o (presidente Barak) Obama chama o partido de oposição e vai distribuir emendas? Eu conheço um pouco da história americana.

Que análise o senhor faz da gestão do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP)?
Eu entendo e respeito a história do presidente Sarney, só que vivemos um momento hoje de transformação. E essa modificação passa pela remontagem do Senado da República. Muitos pontos não foram tocados na administração do presidente José Sarney. Um deles é a questão do pacto federativo. Outro é a reforma política. Ele montou uma comissão, mas é preciso vontade política.

E em relação à transparência? Pode ser ampliada? O acesso ainda não é restrito?
No meu gabinete, eu tenho absolutamente todas as notas. Há uma lei que nós votamos e temos que atender à legislação. Quanto eu ganho, quanto os meu assessores recebem, nada disso é segredo. Existe uma lei. E precisamos cumprir. Mas entendo que a transparência deva ser nos termos legais.

O senador Jarbas Vasconcelos declarou que o Senado Federal é semelhante à mais esculhambada Câmara de Vereadores que existe no Brasil. O senhor concorda com esta colocação?
Eu gostaria de votar no Jarbas para a Presidência do Senado e concordo com o que ele diz.

O senador Randolfe Rodrigues (Psol-AP), que é do seu grupo, tem dito que também quer ser candidato. É possível as duas candidaturas?
Não. Não vou disputar candidatura com Randolfe. Nós defendemos as mesmas causas. Somos irmãos de causa. Não podemos falar em acordo simplesmente porque não existe divergência.

Quando o senhor vai oficializar então a candidatura? Já estabeleceu pelo menos um prazo?
Estou conversando com vários senadores. Conversei com Álvaro Dias e outros. Não posso ser candidato de mim mesmo. O que eu defendo é a existência do debate. Se Cristovam desejar ser candidato, eu apoio o senador. O Jarbas, a mesma coisa. Por que eu sou pior do que eles? Não. Simplesmente porque eles são mais experientes do que eu.

O senhor acredita que há chances reais de derrotar Renan Calheiros?
Ganhar ou perder é uma consequência. Muitas vezes, como dizia Darcy Ribeiro, você tem orgulho de suas derrotas. O importante é que possamos debater. Não se apresenta como razoável que tenhamos um Senado da República com 81 senadores e apenas um candidato.