Moradores atribuem fato a desperdício e aumento da pressão na tubulação.
Já o Grajaú, na Zona Sul, teve o menor consumo mensal desde a crise.
Em meio à crise hídrica que atinge São Paulo desde o ano passado,
bairros da Zona Leste de São Paulo registraram leve aumento no consumo
de água em julho. Segundo dados da Sabesp obtidos pelo G1 via Lei de Acesso à Informação, das 26 regiões da cidade, sete registraram alta em um mês.
Seis delas estão na Zona Leste: São Miguel, Penha, Cidade Tiradentes,
Guaianazes, Itaim Paulista e Arthur Alvim. Situado na Zona Sul, o
Ipiranga também teve aumento, mas de apenas 10 litros a mais por
domicílio.
O consumo mensal da maioria das áreas da Zona Leste em julho é maior também que o dos meses de março, abril e maio. O G1 elaborou um mapa com os dados de consumo mensais por região desde janeiro de 2013, antes do início da crise.
Os índices da Zona Leste variam de 90 a 140 litros a mais por
domicílio. Moradores ouvidos pela reportagem nestes bairros apontam
algumas razões para o consumo maior, como desperdício, aumento da
pressão na tubulação e patamar de uso próximo do limite (assista ao vídeo acima e leia os relatos abaixo).
Questionada, a Sabesp diz não ter uma explicação para o aumento do
consumo na Zona Leste. A companhia ressalta, no entanto, que, em julho,
pelo terceiro mês seguido, a região metropolitana de São Paulo
manteve a mesma taxa de economia de água, com 83% dos clientes
economizando (sendo que 73% ganharam o bônus). O volume economizado, de
acordo com a Sabesp, é suficiente para abastecer cerca de 2 milhões de
pessoas.
Os dados obtidos pelo G1 mostram que, apesar do gasto
maior na Zona Leste, a cidade tem, de fato, variado pouco o consumo
médio mensal. Desde fevereiro, o índice tem alternado entre 10,3 mil
litros e 10,4 mil litros por domicílio.
Pressão reduzida
Desde o início do ano, moradores reclamam que a Sabesp vem reduzindo a
pressão da água, deixando as torneiras secas por várias horas durante o
dia. Eles dizem, no entanto, que houve uma melhora no mês de julho.
Em Arthur Alvim, por exemplo, o comerciante Francisco Gomes de Almeida,
de 57 anos, já não teme que a louça de seu bar fique suja de um dia
para o outro. “Chegou a faltar água no passado. Faltava no período da
tarde, mas voltava no início da manhã. Agora não tenho tido mais esse
problema”, conta.
O comerciante, que antes da crise hídrica gastava entre 14 mil litros e
15 mil litros de água, diz que passou a economizar com medidas simples,
como substituir a mangueira pela vassoura e lavar o chão com água de
reuso. Agora, ele gasta, em média, 9 mil litros – a média na região é de
9.490 litros, segundo os dados da Sabesp.
O vendedor Caíque Nogueira, de 20 anos, também revela ter mudado a
relação com a água. A conta do mercado onde trabalha, porém, chegou a um
limite em que não é mais possível diminuir. Dessa forma, qualquer
variação na rotina, como mais clientes ou um dia mais quente, acarreta
em mais gastos.
“A situação aqui está difícil. A água está acabando em torno das 16h,
então a gente tem que tomar algumas precauções, como limpar a
bomboniere, lavar a louça, e a gente tem que fazer isso antes que a água
acabe”, afirma. O gasto mínimo do estabelecimento é de R$ 200.
Divisão da Sabesp
A Sabesp divide a cidade em 26 regiões de atendimento. A divisão é diferente da feita pela Prefeitura. A região de São Miguel, por exemplo, abrange 20 bairros que vão desde Cidade Pedro I até Vila Verde, passando por Ermelino Matarazzo (veja os bairros contidos em cada região no infográfico especial). Moradores dizem que a região ainda enfrenta problemas de abastecimento: a água acaba no início da tarde e volta apenas de madrugada.
A Sabesp divide a cidade em 26 regiões de atendimento. A divisão é diferente da feita pela Prefeitura. A região de São Miguel, por exemplo, abrange 20 bairros que vão desde Cidade Pedro I até Vila Verde, passando por Ermelino Matarazzo (veja os bairros contidos em cada região no infográfico especial). Moradores dizem que a região ainda enfrenta problemas de abastecimento: a água acaba no início da tarde e volta apenas de madrugada.
Para o aposentado José Domingos Rodrigues, de 64 anos, morador da Vila
Jacuí, uma das razões para o aumento do consumo na região é o
desperdício. Para exemplificar, ele conta um caso ocorrido em sua casa:
em uma noite de agosto, sua mulher tentou lavar roupas no tanque e, como
não saía água, ela se distraiu e não fechou o registro.
De madrugada, quando a pressão aumentou, a água voltou a sair da
torneira e ficou horas indo direto para o ralo. “É um prejuízo de três,
quatro horas. Eu ganho pouco, mas vou ter que pagar porque ela vacilou”,
diz. “Estou contando com 3, 4 metros [cúbicos] a mais que eu vou pagar.
Tomara que seja isso.” Sua residência gasta, em média, 10 mil litros de
água.
Situação semelhante foi vivida pelo comerciante Francisco Almeida, de
Arthur Alvim, em fevereiro. “Esqueceram o registro aberto no sábado e no
domingo. Só fecharam na segunda. Paguei R$ 398, R$ 136 só de multa.
Saltou de 9 mil litros para 22 mil litros.”
Grajau tem o menor consumo da capital
O Grajaú, no extremo sul da cidade, é uma exceção. A região tem batido
recordes “positivos” mês a mês. Em julho, o bairro teve o menor consumo
médio por domicílio de toda a cidade desde o início da crise: 8.680
litros (veja relato dos moradores no vídeo abaixo).
O comerciante Lauro Ricardo del Rovere, de 45 anos, atribui a
diminuição gradual do consumo aos hábitos de economia que toda a
vizinhança resolveu adotar. “A água do chuveiro eu jogo na banheira e
também uso na descarga. A do tanque eu uso para limpar a calçada. Também
fechei o registro, para vir menos água”, afirma.
As medidas fizeram com que ele diminuísse o consumo de 17 mil litros
para 7 mil litros – abaixo da média geral. “Vou continuar economizando.
Ainda mais eu, que sou mão de vaca”, brinca.
Morador de Parelheiros, que também faz parte da região do Grajaú,
segundo a divisão da Sabesp, o vendedor Fabio Henrique Carvalho, de 32
anos, diz que tem economizado bastante, mesmo com o aumento de pessoas
morando na residência. Eram apenas duas em 2014; agora, são seis. “A
gente reaproveita a água depois de lavar a roupa e só dá descarga só no
fim da noite. Neste mês, gastamos 13 mil litros. Se não tivesse
economizado, gastaria 18 mil litros.”
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