Karine Melo/Agência Brasil
Entre as dúvidas, está se Dilma continuará ocupando o Palácio da Alvorada.
BRASÍLIA
- Com a possibilidade da presidenta Dilma Rousseff ser afastada do
cargo por até 180 dias esta semana, caso a admissibilidade do processo
de impeachment contra ela, também, seja aprovada pelo plenário
do Senado, consultores da Casa estudam, a pedido do presidente Renan
Calheiros (PMDB-AL), quais direitos ela terá no período em que estiver
suspensa das funções de chefe do Executivo.
Por se tratar de um
caso inédito, essa definição por parte do Senado não é prevista em Lei.
Segundo consultores legislativos, como Renan presidirá a sessão, o
entendimento é de que, da mesma forma como faz um juiz ao proferir uma
sentença, Renan informe sobre as prerrogativas que Dilma manterá.
Isso
deverá ser feito por meio de um projeto de resolução que virá da Mesa
da Casa. Ao que tudo indica, após a proclamação do resultado no
plenário, que pode sair amanhã (11) ou na quinta-feira (12), e caso a
decisão seja pelo afastamento de Dilma, o projeto de resolução deve ser
votado, simbolicamente, pelos senadores.
Aprovado o impeachment,
a presidenta será afastada do cargo imediatamente, após receber das
mãos do primeiro-secretário da mesa, Vicentinho Alves (PR-TO), a
notificação da abertura do processo no Senado. Dependendo do horário em
que a sessão terminar, isso pode ser feito no mesmo dia ou no dia
seguinte cedo.
Dúvidas
Entre as dúvidas que
devem ser esclarecidas por esse projeto de resolução está, por exemplo,
se Dilma poderá continuar ocupando o Palácio da Alvorada, residência
oficial de presidentes da República. Também não se sabe como ficará a
utilização, por ela, de helicópteros e aviões da Força Aérea Brasileira
para viagens.
O único direito garantido por lei a um presidente
afastado em processo de impedimento é a manutenção da metade de seu
salário. Pela chamada Lei do Impeachment (1.079/50), Dilma passaria a receber R$ 15,4 mil mensais até o julgamento final no Senado.
Ainda assim, esse ponto, também, é polêmico, já que a Constituição de 1988, posterior à Lei do Impeachment, prevê a irredutibilidade dos salários dos servidores. Por isso, há quem defenda a manutenção do salário integral de Dilma.
Por
cautela e respeito à decisão que será tomada pelo plenário do Senado,
Renan Calheiros, não fala sobre o assunto. Uma das possibilidades em
análise é estender a Dilma alguns direitos previstos no Decreto
6.381/08, que dispõe sobre medidas de segurança aos ex-Presidentes da
República. Na prática, como ainda está no exercício do mandato, o
decreto não se aplicaria à situação atual, mas pode ser usado como
referência.
No caso dos ex-presidentes, eles têm direito a seis
servidores para segurança e apoio pessoal. Desses, quatro com salários
até R$ 8,5 mil e dois de R$ 11,2 mil. Também custeados pela Presidência
da República, ex-presidentes têm direito a dois motoristas com carros
oficiais.
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